segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Bom Entrudo 2015


Entrudo Chocalheiro em Podence

"Em Podence, nos dias de Carnaval, os Caretos surgem em magotes, de todos os sítios, percorrendo a aldeia em correrias desenfreadas, num clima fantástico e fascinante, pleno de sedução e mistério. Ninguém lhes consegue ficar indiferente, aqueles que não se vestirem de Careto abrem as suas adegas aos passantes.
As crianças de sexo masculino, os Facanitos perseguem os  Caretos tentando imitá-los, as raparigas solteiras, são o principal alvo dos mascarados, admiram-nos das janelas ou varandas das suas casas, com um certo receio de que o entusiasmo dos Caretos os leve a trepar para as poderem chocalhar."
Grupo de Caretos de Podence

 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

14 de fevereiro - Dia dos Namorados


A Igreja Católica reconhece pelo menos três santos com o nome de Valentim, todos eles martirizados pela Roma Antiga, e não é certo qual desses três será o "responsável" pela história que deu origem à lenda que fez nascer o dia dos Namorados. 
"O Amor", encenação feita pelos alunos do curso de Animador Sociocultural.
A versão mais disseminada conta que, por alturas do séc. III, o Imperador Cláudio II, querendo formar um poderoso exército romano, decidiu proibir temporariamente a celebração de casamentos para garantir que os jovens se concentrassem mais facilmente na guerra e na vida militar. Contudo, o bispo Valentim contrariou as ordens e continuou a celebrar casamentos, agora na clandestinidade. 
A afronta à vontade do Imperador levou a que Valentim acabasse preso e condenado à morte. Até à sua execução, foi recebendo flores e bilhetes (o que explica a troca de postais, cartas e presentes, hoje em dia) enviados por anónimos como demonstração de apoio e consideração pela sua conduta. 

A milagrosa história de amor 
A filha do carcereiro de Valentim, que era cega, movida pela curiosidade, terá pedido para o visitar no cárcere e, mal se aproximou dele, recuperou a visão. Ambos se apaixonaram um pelo outro. Numa carta escrita à sua amada, o bispo ter-se-à despedido com a expressão “do seu Valentim”, que ainda é usada na língua inglesa (“valentine“) para designar namorado. Mas esta história não tem final feliz: ainda segundo a lenda, a ordem de execução dada por Cláudio foi cumprida e Valentim acabaria por ser decapitado num 14 de fevereiro de finais dos anos 200 (séc. III). Devido à indefinição e à falta de factos históricos comprovados para além de qualquer dúvida, a Igreja Católica não celebra oficialmente esta data. Não é por isso, no entanto, que o Dia de São Valentim, dia dos namorados, 14 de fevereiro, deixa de ser festejado em todo o mundo, tendo passado a fazer parte das tradições nacionais. Assim sucede há séculos – em Portugal, por exemplo. 

Oleira de Guimarães mantém viva tradição da ‘cantarinha dos namorados’ 
A ‘cantarinha dos namorados’ de Guimarães continua a ser uma prenda muito oferecida por alturas de São Valentim, mantendo-se assim viva uma tradição antiga que atualmente é alimentada pelas mãos da mestre oleira Bela Alves. 
Cantarinha dos Namorados, Guimarães
Segundo a tradição, quando um rapaz se dispunha a fazer o pedido oficial de casamento oferecia primeiro à namorada uma cantarinha, moldada em barro. Se a prenda fosse aceite, estava formalizado o pedido particular, passando a depender apenas da vontade dos pais o anúncio do noivado. Uma vez dado o consentimento, a cantarinha servia então para guardar as prendas que o noivo e os pais da noiva ofereciam, designadamente peças em ouro. 
Bela Alves, 39 anos de idade e oleira há 14, aprendeu o ofício com o mestre Joaquim Oliveira, entretanto falecido, e hoje continua a “dar à luz” ‘cantarinhas de namorados’, na sua oficina instalada na Plataforma das Artes, em Guimarães. “Na altura de São Valentim, é quando se vende em maior quantidade”, refere, enquanto molda a argila e, com o pé, vai girando a típica roda de oleiro. Se a tradição mandava que fossem eles a oferecer a cantarinha, hoje, revela Bela Alves, a iniciativa deve “andar ela por ela”, ou seja, os compradores são tanto homens como mulheres. 
Atualmente, as cantarinhas já não são propriamente usadas para pedir a mão a alguém nem para guardar jóias, mas assumem-se como “guardiãs” de segredos e de histórias de amor. “Quem as oferece, fá-lo pelo simbolismo que elas encerram”, sublinha Bela Alves. 

Agência Lusa

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Romeu e Julieta


Encontra-se disponível, na secção "Biblioteca Virtual - Teatro", a célebre peça de teatro de William Shakespeare, "Romeu e Julieta".
Uma vez que a Biblioteca Escolar da EPDRA te irá proporcionar o visionamento do filme, aproveita e lê também o livro e empolga-te com esta fascinante e trágica história de amor.

Romeu e Julieta.pdf

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Correio Sentimental

No âmbito das comemorações da "Semana do Amor", a turma B6, em colaboração com a Biblioteca Escolar da EPDRA, decidiu dinamizar um "Correio Sentimental".
Deste modo, os alunos da B6 convidam toda a comunidade educativa a participar, escrevendo uma carta a alguém que queiram homenagear e colocando-a numa das caixas disponíveis para o efeito, na Biblioteca da Epdra e no Pavilhão Agro-alimentar. A entrega das cartas será feita por uns mensageiros muito especiais no dia 12 de fevereiro, quinta feira.
Participa!


 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina - 6 de fevereiro


Assinala-se no dia 6 de Fevereiro, o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.
A mutilação genital feminina compreende todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos, ou provoquem lesões nos órgãos genitais da mulher, por razões não médicas. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde entre 100 a 140 milhões de meninas, raparigas e mulheres em todo o mundo foram submetidas à prática da Mutilação Genital Feminina. Todos os anos, cerca de 3 milhões de meninas e mulheres estão em risco de sofrer algum tipo de mutilação. De acordo com este organismo (2000) Portugal é um país de risco no que concerne a esta prática. O cálculo deste risco baseia-se na assunção de que as comunidades migrantes residentes em Portugal provenientes de países onde a MGF existe poderão continuar esta prática, quer no nosso país, quer enviando menores ao país de origem. As evidências e observações em matéria de saúde, os estudos e o trabalho comunitários provam que residem em Portugal mulheres que tendo sofrido mutilação nos seus países de origem necessitam de cuidados de saúde físicos e psicológicos específicos.

«Num ano foram detectados 43 casos de mutilação genital em Portugal
Há um ano, no Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Sexual Feminina, não havia registo algum na plataforma de dados da saúde. Agora, há 43. São casos antigos detectados na Grande Lisboa.
A excisão é uma prática enraizada em 28 países africanos. Por força dos fluxos migratórios, foi levada para o Médio Oriente, a Ásia, a América, a Austrália e a Europa, incluindo França, Itália, Holanda, Reino Unido e Portugal, onde é encarada como uma violação de direitos humanos baseada no género.
Portugal figura na lista por nele residirem pessoas oriundas de países com forte tradição de excisão genital, como a Guiné-Bissau, o Senegal, o Egipto, a Gâmbia, a Nigéria ou a Serra Leoa. Presume-se que se pratique, embora em grande secretismo, dentro do território nacional. E há notícia de crianças levadas ao país de origem durante as férias para aí serem sujeitas ao “corte”.»
Jornal Público




Dia da Internet mais Segura 2015



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CineLeituras fevereiro


Integrada na "Semana do Amor", a atividade CineLeituras do mês de fevereiro abordará uma das mais célebres história de amor de todos os tempos, Romeu e Julieta, da autoria de William Shakespeare.
A sessão cinematográfica decorrerá no dia 10 de fevereiro, pelas 14h00, com o visionamento do filme "Romeu e Julieta", de 1996, realizado por Baz Luhrmann e protagonizado por Leonardo Dicaprio e Claire Danes.



 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Semana do Amor


Na próxima semana, de 9 a 13 de fevereiro, a Biblioteca Escolar vai-se dedicar inteiramente ao AMOR. O Amor dos apaixonados, o amor fraterno, o amor profissional, o amor em toda a plenitude da sua essência.
Iremos ter um conjunto de atividades dedicadas a toda a comunidade educativa e, desde já, contamos com a tua participação e entrega.
Não tenhas medo, AMA!


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Violência no Namoro


Na passada quarta feira, dia 28 de janeiro, a EPDRA recebeu a visita do Dr. Gustavo Duarte, técnico de apoio à vítima do gabinete de Santarém da APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, no intuito de prestar uma ação de sensibilização no âmbito da "Violência no Namoro".
Esta atividade decorreu no âmbito do projeto sexual de turma, tendo a sua dinamização ficado a cargo dos professores Cristina Sá, Hugo Sampaio, Margarida Lima e Mário Gala.
Estiveram presentes no anfiteatro da EPDRA as turmas C2a, C2b, C9, B9, C4, B4, A4, B6 e A6 para assistir à respetiva ação de sensibilização. Os alunos participaram de uma forma ativa nesta ação, demonstrado interesse no tema em questão e refletindo sobre as causas e consequências da violência entre pares.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dia Escolar da Não Violência e da Paz


No dia 30 de janeiro celebra-se o Dia Escolar da Não-Violência e da Paz, uma iniciativa do poeta, pedagogo e pacifista espanhol Llorenç Vidal.
Desde 1964, que a celebração deste dia pretende chamar a atenção de políticos, governantes, pais, educadores e professores para a necessidade de uma educação permanente pela Não-Violência e pela Paz; que é preciso educar para a solidariedade e para o respeito pelos outros, porque “Uma vez que as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que deve edificar-se a paz” (Preâmbulo da Constituição da UNESCO).
A escolha da data não foi ao acaso, mas por que este foi o dia do assassinato de um dos maiores defensores da paz, da não-violência, da justiça e da tolerância entre os povos: Mahatma Gandhi. Considerado o pai da Índia, Gandhi foi um homem de boa vontade que lutou, sem ódio, pela independência da sua pátria e pela paz do mundo.



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"Nove Mil Passos", Pedro Almeida

 


«O escritor Pedro Almeida Vieira vai estar em Abrantes no dia 29 de janeiro (5ª feira) para apresentar o romance histórico “Nove Mil Passos”.
O encontro está marcado para as 21h30, na Biblioteca Municipal António Botto – com entrada livre – e a apresentação estará a cargo de Ana Paula Agudo, professora bibliotecária na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes.
Pedro Almeida Vieira tem repartido a sua atividade pelo jornalismo, a escrita e a investigação académica na área da biologia e ambiente.
Foi jornalista «free-lancer» na revista “Grande Reportagem”, no “Expresso” e no “Diário de Noticias”. Em 2003 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Ambiente «Fernando Pereira», pela Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente, pela sua contribuição, como jornalista, para as causas ambientais.
No ensaio, publicou “O Estrago da Nação” (2003) e “Portugal: O Vermelho e o Negro” (2006), dois livros de temática ambiental.
Na ficção estreou-se com “Nove Mil Passos” (2004), a que se seguiu “O Profeta do Castigo Divino” (2005), “A Mão Esquerda de Deus” (2009, finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa / Correntes d’Escritas) e “Corja Maldita” (2010).
Criou e gere a biblioHistória, a primeira base de dados de literatura do género histórico.
“Nove Mil Passos” evoca a construção do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa e constitui “um repositório dos tempos de fausto do Rei-Sol português, envoltos em beatices, intrigas, libertinagens, superstições, perseguições e desgovernos, tendo como pano de fundo a história da construção do Aqueduto das Águas Livres, relatada pelo espírito irónico e mordaz (e também interventivo) de Francisco d’Ollanda”.»

Ribatejo, Diário Regional Online

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A melodia da poesia

 


RECANTIGA

"E era as folhas espalhadas, muito recalcadas do correr do ano
A recolherem uma a uma por entre a caruma de volta ao ramo


E era à noite a trovoada que encheu na enxurrada aquela poça morta
De repente, em ricochete, a refazer-se em sete nuvens gota a gota


Era de repente o rio, num só rodopio a subir o monte
A correr contra a corrente assim de trás para a frente a voltar à fonte


Um monte de cartas espalhadas des-desmoronando-se todo em castelo
E era linha duma vida sendo recolhida de volta ao novelo


Era aquelas coisas tontas, as afrontas que eu digo e que me arrependo
A voltarem para mim como se assim tivessem remendo


E era eu, um passarinho caído no ninho à espera do fim
E eras tu, até que enfim, a voltar para mim."


Miguel Araújo

domingo, 18 de janeiro de 2015

Concurso Concelhio de Leitura



O Município de Abrantes irá, uma vez mais, organizar o "Abrantes a Ler: Concurso Concelhio de Leitura", com o objetivo de estimular a prática da leitura entre os alunos do 1º, 2º, 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário.
A 1ª fase do concurso irá decorrer na nossa escola no dia 3 de fevereiro e as inscrições encontram-se abertas para o efeito na Biblioteca Escolar da EPDRA. Os três apurados ao nível da escola nesta primeira fase, passarão para a final a realizar posteriormente na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes.
A obra escolhida para a 1ª fase a decorrer na EPDRA foi "O Pintor Debaixo do Lava-Loiças", de Afonso Cruz.
Podes consultar o regulamento da 1ª fase aqui.
Participa!



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

CineLeituras - janeiro


No próximo dia 21 de janeiro terá lugar mais uma sessão de cinema na Biblioteca Escolar, inserida na atividade CineLeituras. Desta vez o filme escolhido é "O Perfume", adaptação da obra homónima do escritor alemão Patrick Süskind.
A não perder!


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo


"Je suis Charlie"


 «Não se percebe a gabarolice dos estúpidos assassinos quando gritaram "Matámos a Charlie Hebdo".
Não se pode matar a Charlie Hebdo. Não se pode matar a valente e hilariante revista que goza com tudo e com todos desde os tempos em que se chamava Hara-Kiri. Muitos poderosos tentaram censurar os satíricos da Charlie Hebdo. Nunca conseguiram. Nunca conseguirão.
O que se pode matar é a liberdade de expressão. Ou reforçá-la: foi o que fizeram os estúpidos assassinos que reagiram a desenhos satíricos massacrando os autores com metralhadoras. Desencadeou-se imediatamente uma onda de solidariedade francesa e internacional para reafirmar a liberdade de expressão.
Os mais perigosos inimigos da liberdade de expressão são pessoas inteligentes e bem-intencionadas que publicamente pedem tratamento especial para a religião islâmica (ou qualquer outra religião) para não "ferir susceptibilidades" ou "fazer provocações". São pessoas liberais que defendem calmamente a protecção das sensibilidades muçulmanas através da violação da liberdade de expressão, por muito civilizada e politicamente correcta que seja a forma de censura que propõem.
Mostraram-se quando foi o caso de Salman Rushdie e mostrar-se-ão outra vez dentro em breve. Quem será o primeiro idiota entre nós a dizer que a culpa foi dos assassinados da Charlie Hebdo? Tem todo o direito de dizê-lo. É isso a liberdade de expressão. Ser-se estúpido também é um direito. Até os assassinos o têm.»

Miguel Esteves Cardoso, Público, 08/01/2015


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Inês de Castro


A 7 de janeiro de 1355 era assassinada Inês de Castro, o grande amor de D Pedro I, por ordem do rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro. Os amores de D. Pedro por Inês, a dama galega, inspiraram dramaturgos e poetas tornando esta história de amor na mais aclamada e pertuada pela literatura portuguesa.

Biografia de Inês de Castro
Execução de Inês de Castro, quadro de Columbano
nês de Castro nasceu em 1320 ou 1325 na Galiza, era filha ilegítima do nobre galego Pedro Fernandes de Castro, o da Guerra, e de uma dama portuguesa, Aldonça Suárez de Valadares, e irmã de D. Fernando e de D. Álvaro Pires de Castro. Por parte de seu pai era bisneta ilegítima de D. Sancho de Castela, pai de D. Beatriz de Castela que era mãe de D. Pedro, futuro Rei de Portugal. Era, portanto, prima em 3º grau de D. Pedro.
Viveu parte da sua infância no castelo de Albuquerque cuja dona, que a criou como filha, era casada com Afonso Sanchez, filho ilegítimo de D. Diniz, até vir a ser aia de sua prima de D. Constança Manuel, filha de João Manuel de Castela, poderoso nobre descendente da Casa Real Castelhana e que estava prometida ao príncipe de Portugal, D. Pedro.
Inês de Castro chega a Évora, integrada no séquito de D. Constança, em 1340. Desde cedo foram conhecidos os amores de D. Pedro pela dama galega. D. Afonso IV, temendo esta relação, exila-a na fronteira espanhola em 1344.
Após a morte de D. Constança volta a Portugal, tendo vivido com D. Pedro, de quem vem a ter quatro filhos, o primeiro, D. Afonso, que morreu em criança. Viveram em vários locais na zona da Lourinhã e, por fim, em Coimbra no Paço da Rainha Santa junto ao Convento de Santa Clara-a-Velha, tendo sido degolada a 7 de Janeiro de 1355 por ordem de D. Afonso IV.
Da vida de Inês de Castro pouco se sabe, a sua trágica morte e o amor sem limites de D. Pedro e a forma como este quis perpetuar esses amores, alimentou desde cedo a poesia e a narrativa histórica, não deixando morrer o mito Inês de Castro.
Fundação Inês de Castro

Inês de Castro na literatura portuguesa





Episódio de Dona Inês de Castro
(Os Lusíadas, Canto III, 118 a 135)


"Passada esta tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana Terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste e dino da memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.

Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fernosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria.

De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos enjeita,
Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas,
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,

Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue só da morte ladina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina,
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra hûa fraca dama delicada?

Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saudade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava,

Pera o céu cristalino alevantando,
Com lágrimas, os olhos piedosos
(Os olhos, porque as mãos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos);
E despois, nos mininos atentando,
Que tão queridos tinha e tão mimosos,
Cuja orfindade como mãe temia,
Pera o avô cruel assi dizia:

(Se já nas brutas feras, cuja mente
Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que somente
Nas rapinas aéreas tem o intento,
Com pequenas crianças viu a gente
Terem tão piedoso sentimento
Como co a mãe de Nino já mostraram,
E cos irmãos que Roma edificaram:

ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar hûa donzela,
Fraca e sem força, só por ter sujeito
O coração a quem soube vencê-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha.

E se, vencendo a Maura resistência,
A morte sabes dar com fogo e ferro,
Sabe também dar vida, com clemência,
A quem peja perdê-la não fez erro.
Mas, se to assi merece esta inocência,
Põe-me em perpétuo e mísero desterro,
Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,
Onde em lágrimas viva eternamente.

Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre leões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei.
Ali, co amor intrínseco e vontade
Naquele por quem mouro, criarei
Estas relíquias suas que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste.)

Queria perdoar-lhe o Rei benino,
Movido das palavras que o magoam;
Mas o pertinaz povo e seu destino
(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.
Arrancam das espadas de aço fino
Os que por bom tal feito ali apregoam.
Contra hûa dama, ó peitos carniceiros,
Feros vos amostrais e cavaleiros?

Qual contra a linda moça Polycena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos, com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha),
Na mísera mãe postos, que endoudece,
Ao duro sacrifício se oferece:

Tais contra Inês os brutos matadores,
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou de amores
Aquele que despois a fez Rainha,
As espadas banhando e as brancas flores,
Que ela dos olhos seus regadas tinha,
Se encarniçavam, fervidos e irosos,
No futuro castigo não cuidosos.

Bem puderas, ó Sol, da vista destes,
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tiestes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia !
Vós, ó côncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetistes.

Assi como a bonina, que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lacivas maltratada
Da minina que a trouxe na capela,
O cheiro traz perdido e a cor murchada:
Tal está, morta, a pálida donzela,
Secas do rosto as rosas e perdida
A branca e viva cor, co a doce vida.

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores."
 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Feliz Ano Novo!

 

A Biblioteca Escolar da EPDRA deseja a todos os seus seguidores e respectiva comunidade educativa um próspero Ano Novo! Que seja um 2015 recheado de leituras e muitas aventuras literárias. :)

 Jo gos tradicionais Ontem foi uma noite de jogos tradicionais, e por momentos voltámos à infância…